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Câmaras Municipais de MS entram na mira do MPC-MS em levantamento sobre contratos sem licitação.

Órgão solicita ao TCE-MS análise detalhada de assessorias jurídicas e contábeis contratadas por inexigibilidade; medida é preventiva e busca verificar cumprimento da Lei 14.133 e critérios do STF.

Por: Daeyson Maciel. Jornalista DRT 2444/MS Fonte: Ministério Público de Contas de MS / Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS).
28/02/2026 às 08h29
Câmaras Municipais de MS entram na mira do MPC-MS em levantamento sobre contratos sem licitação.
Foto: Reprodução.

O Ministério Público de Contas de Mato Grosso do Sul (MPC-MS) solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) a realização de um levantamento detalhado sobre contratos de assessoria jurídica e contábil firmados pelos municípios sul-mato-grossenses.

O pedido abrange tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo, incluindo as Câmaras Municipais, com atenção especial às contratações realizadas por meio de inexigibilidade de licitação.

O procedimento possui caráter preventivo e busca verificar se as contratações diretas seguem os critérios estabelecidos pela legislação vigente.

O que será analisado

A Lei nº 14.133/2021 permite a contratação direta de serviços técnicos especializados quando houver inviabilidade de competição. No entanto, a legislação estabelece que essa modalidade deve ser utilizada de forma excepcional e devidamente fundamentada.

Além disso, o Supremo Tribunal Federal já definiu critérios objetivos para esse tipo de contratação, entre eles:

  • Comprovação da especialização do contratado;
  • Demonstração da natureza singular do serviço;
  • Compatibilidade dos valores com os preços praticados no mercado.

Estrutura interna será considerada

O levantamento pretende verificar situações em que municípios já possuem procuradores, advogados públicos, contadores ou servidores especializados em seus quadros permanentes.

Nesses casos, a contratação externa deve demonstrar necessidade concreta e excepcionalidade, conforme os princípios da legalidade, eficiência e economicidade.

Possíveis desdobramentos

Segundo o MPC-MS, o não fornecimento das informações solicitadas poderá resultar em multa e outras sanções previstas na legislação.

A proposta será submetida à análise dos relatores das seis regiões jurisdicionadas pelo TCE-MS. Os municípios deverão encaminhar documentação detalhada e justificativas técnicas relativas aos contratos firmados.

A iniciativa reforça o papel do controle externo na fiscalização da aplicação de recursos públicos e na garantia da transparência administrativa.

Não há, neste momento, apontamento específico contra qualquer município ou Câmara. O objetivo declarado é preventivo, buscando assegurar conformidade legal e boa governança.

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