Moradores e comerciantes do centro de Campo Grande afirmam que a situação nas ruas atingiu um ponto crítico. O que antes já era um problema recorrente passou a ganhar novas proporções, com impacto direto na rotina de quem vive e trabalha na região central da capital.
Segundo relatos enviados à redação, o aumento do número de pessoas em situação de rua, incluindo brasileiros e estrangeiros, tem provocado desconforto, insegurança e prejuízos econômicos. Os entrevistados fazem questão de destacar que a crítica não se dirige a quem vem em busca de trabalho e sustento, mas à ausência de políticas eficazes para lidar com dependência química, permanência contínua nas vias públicas, pedintes insistentes e situações que afetam a convivência urbana.
“Não aguento mais. É urina, fezes, lixo na porta da minha casa. Limpar isso virou rotina. E muitas vezes há uso de drogas na rua, à vista de todos.”
O comércio local também sente os reflexos. Um comerciante afirma que a queda no movimento é perceptível, sobretudo pela presença constante de pedintes nas portas dos estabelecimentos.
“Clientes relatam mau cheiro, constrangimento e até abordagens ríspidas quando dizem que não podem ajudar. Isso afasta quem vem comprar.”
Outro empresário relata aumento de furtos em lojas e estabelecimentos da região central. Segundo ele, mesmo com segurança privada contratada, o problema persiste.
“A situação é degradante. A sensação é de que estamos enxugando gelo.”
Prédios abandonados e ocupações irregulares
Moradores também relatam a ocupação irregular de prédios abandonados na região central, que, segundo eles, estariam sendo utilizados como abrigo improvisado e, em alguns casos, como ponto de consumo de drogas. A falta de fiscalização e de políticas de reaproveitamento desses imóveis contribui para a deterioração urbana.
Relatos se estendem a bairros
Além do centro, moradores de bairros também relatam ondas de furtos e roubos, muitas vezes envolvendo o uso de armas brancas, conforme os depoimentos recebidos. Embora não haja confirmação oficial de dados consolidados, os relatos se multiplicam e reforçam a percepção de insegurança.
Cobrança por respostas e ações estruturais
Até o momento, não há manifestação pública detalhada da Prefeitura informando quais medidas estruturais estão sendo adotadas para conter o avanço da situação. Especialistas em políticas sociais ouvidos informalmente por comerciantes defendem que ações pontuais não resolvem um quadro estrutural, que exige projetos integrados de acolhimento, tratamento da dependência química, assistência social, fiscalização urbana e políticas habitacionais.
O silêncio do poder público, segundo moradores, aumenta a sensação de abandono. A preocupação é que, sem intervenção efetiva e coordenada, a situação se agrave, ampliando conflitos sociais, prejuízos econômicos e riscos à população.
- Plano integrado de acolhimento e encaminhamento social
- Ações de saúde e tratamento para dependência química
- Fiscalização e estratégia para imóveis abandonados
- Ordenamento urbano e presença efetiva do poder público
O debate, destacam os entrevistados, não é contra pessoas ou nacionalidades, mas a favor de soluções concretas. A cobrança é por políticas públicas que tratem o problema com humanidade, mas também com responsabilidade, garantindo dignidade a quem precisa de ajuda e segurança a quem vive e trabalha na cidade.
